Deixa, deixa

Deixa o cara rezar pra quem ele quiser em paz. Deus, Buda, Jesus Cristo, Alá, Maomé provavelmente estão com vergonha alheia de a humanidade ainda não ter aprendido lições básicas de amor e tolerância.

Deixa o outro dar pra quem ele quiser. Se ele sente prazer se relacionando com homem, mulher, ambos, isso é uma questão íntima dele, e não social da coletividade. Ah, mas está escrito na Bíblia que não pode. Ok, então cumpra a Bíblia, não se pegue com ninguém do mesmo sexo e seja feliz. Desenhai vos?

Deixa o apresentador entrevistar como e quem ele quiser, desejar a morte (a m-o-r-t-e) dele porque ele não está alinhado com o que você pensa mostra, na verdade, que mórbido é você.

Deixa os outros divergirem de você. Ser amigo de quem é afim é tranquilo, bonito é ter um bom amigo que te mostra novas possibilidades de pensamento e te tira da zona de conforto.

Deixa o “vagabunda” de fora do discurso frequente, proferir regularmente impropérios pessoais porque se diverge ideologicamente enfraquece as suas justas reivindicações e acaba dizendo muito a seu respeito.

Deixa o cara trabalhar com o que ele quiser e se ele quiser. Deixa de achar que porque ele é artista, então ele é drogado, porque não usa terno e gravata, então ele é menos bem sucedido, porque tem horários diferentes do “normal”, logo ele é vagabundo, não vai de carrão pro trabalho, logo é um coitado, frustrado. Isso é coisa da sua bisavó. Passe pra frente o que ela te ensinou de bom e deixe de lado aquilo que cabia apenas no mundo dela.

Deixa de achar que todo mundo que apoia ciclovias é simpatizante do PT, de esquerda, comunista. Pelamordedeus, get over it.

Deixe pessoas comemorarem e demonstrarem apoio ao casamento gay. Não é uma revolução colorir foto de perfil, mas é um alento e uma forma de demonstrar solidariedade nesses tempos de ódio e de um Congresso Brasileiro repleto de intolerância. Simplesmente deixe.