sobre a autora

A primeira música cantarolada enquanto o pai tocava piano, no auge dos 7, foi “Marinheiro Só”, que logo virou a trilha sonora da infância. Daí o nome deste blog, que ganhou mais identidade com o tempo e se tornou simplesmente Não Sou Daqui.

Alguém bastante especial (Milena <3) não sossegou enquanto não criei este blog, em 2010, quando ainda morava em Toulouse, na França, para onde fugi me mandei sob o pretexto de fazer uma especialização em Direito International. E fiz – e o que me mostrou que o meu negócio era mesmo escrever.

Outra pessoa, que apareceu na vida logo após a volta ao Brasil, foi crucial para a manutenção e sucesso deste espacinho aqui. O Dani chegou e cuidou do Não Sou Daqui, deu um tchan nele, criou fan page no Facebook, consertou alguns erros, pagou pelos servidores mais rápidos e cobra diariamente por novos textos.

Meu insumo é tudo, cada vez mais o movimento social. O que me inspira não tem nada de extraordinário – são coisas, pessoas, situações comuns + insights igualmente ordinários muitas vezes invisíveis, inexplorados ou mesmo desprezados por outros olhares.

O olhar estrangeiro é o caminho, não só pra escrever mas também pra vivenciar o mundo. Desse lugar, é possível ver as coisas como alguém de fora, contemplando com a curiosidade de quem vê pela primeira vez.

Dá pra adotar o olhar estrangeiro mesmo num lugar que não é novo ou diferente. São Paulo é meu lugar mas é fascinante sair pela cidade percebendo a vida acontecendo de uma outra perspectiva, a de uma pessoa que não é ou veio dali.

Porém, é mais fácil ser estrangeira no estrangeiro pois não preciso de um botão para ativar para o modo “de fora” – aqui (Paris por tempo indeterminado) ele já está constantemente ativado.

O problema é que esse olhar vicia, não quero nunca ser daqui, do lugar onde estou fisicamente. Instigante e angustiante ao mesmo tempo.

Neste blog escrevo esporadicamente mas diante da cobrança diária (do Dani) por mais textos, estou tentando me organizar. Um bom texto tem que dormir umas 2 noites, no mínimo.

Hoje releio alguns textos que escrevi aqui e me espanto comigo mesma não me reconheço naquele momento. Algumas vezes não concordo com o sentimento e posicionamento daquela Stella estranha, ou distante, pra mim. Escrever é expor muito, inclusive a evolução metamorfose de uma pessoa. Não é confortável, mas auxilia no autoconhecimento e aceitação, e não dá mais para voltar atrás.